AZRAEL

 

No ínicio da década de 90, a DC Comics teve a "brilhante" idéia de repaginar o Batman, deixando ele mais em sintonia com os quadrinhos da concorrência, ou seja, tornando o já antisocial e rabugento Batman em um anti-herói sem escrúpulos, capaz das mais variadas formas de violência. Sabendo que ninguém ia engolir Bruce Wayne agindo como um rejeito da Image, nos deram o evento "KnightFall", onde o vilão Bane quebra a espinha do Batman, fazendo com que seja necessário um substituto.

Até aí, beleza. Quem seria esse substituto do Batman? Asa Noturna? Tim Drake? Alguém que já fizesse parte da "família" Batman? Mas não, o "novo" Batman era um tal de "Jean-Paul Valley", um assassino treinado pela "Ordem de São Dumas", um personagem que havia sido anteriormente introduzido como uma estranha mistura de vítima e vilão da semana. De alguma maneira, a DC esperava que engolíssemos um maníaco que sofreu lavagem cerebral por uma ordem religiosa como a pessoa que Bruce Wayne escolheria para substítui-lo.

Não que eu tenha problemas com Azrael em si, mas sim com a idéia de que ele seja um Batman. Já de início, Valley surgiu usando uma armadura mecanizada (?!), armado com adagas flamejantes e uma espada (?!). Após assumir a posição de "agente do morcego", trocou pra armadura vista acima, e depois pra uma armadura ENORME, com a qual tomou uma surra merecida do original.

A longo das mais de 100 edições que apareceu, Valley teve uma notável queda em direção a insanidade. Em sua minissérie de origem, já era instável, e um tanto psicótico, mas após ser exposto ao Gás do medo do Espantalho, Azrael foi ficando cada vez mais obsecado em "corrigir" as falhas do seu equipamento, e em "purificar" Gotham. Essa trama toda acabou com Azrael ganhando uma revista própria, sem a chamada para Batman. Onde voltou a usar sua armadura original, presenciou "milagres", e morreu baleado pelos seus "arquinimigos", Carlton LeHah (que matou seu pai, o Azrael anterior, que nunca vimos antes desse desastre) e Nicholas Scratch, o "patrono" de LeHah.

Azrael tinha potencial para ser um personagem interessante, se não tivesse sido empurrado como o novo Batman, e tivesse tido a chance de se desenvolver como, bem, AZRAEL, e não Az-bat. Isso, e Batman como um fanático religioso simplesmente não parece certo. Embora fosse um assassino profissional, em toda a sua história, Azrael matou um "impressionante" total de DUAS pessoas, o que não faz muito sentido. E pra fechar a esquisitice, A Ordem de São Dumas não parece se encaixar dentro de nenhuma denominação religiosa, tendo práticas que parece saídas das idéias de Jack Chick sobre católicos.

A última aparição de Valley foi em "Blackest Night", como um Lanterna Negra.

Porém, essa não foi a última aparição de Azrael : um personagem novo com o nome surgiu durante o evento "Battle for The Cowl", como um dos vigilantes querendo assumir a posição do Batman após a "morte" de Bruce Wayne. Esse novo Azrael é Michael Washington Lane, um ex-policial afro-americano recrutado pela "Ordem da Pureza" para recuperar a armadura de Azrael, pois o agente da "Ordem de são Dumas" que a trajava tinha matado um policial.

Esse novo Azrael continua ativo em Gotham, fazendo uma justiça ao estilo "olho-por-olho, dente-por-dente", e teve uma minissérie própria entitulada Azrael: Death's Dark Knight. Para a felicidade dos fãs do morcego, Ao final de Battle for The Cowl quem assumiu o manto do Batman foi Dick Grayson, como deveria ter sido da primeira vez.

Se perguntarem sobre isso, a DC jura que toda a trama do Azrael original foi para mostrar como o Batman não deveria ser. O fato de ele ter tido 100 edições solo, fora o número imenso de aparições em outras revistas não corrobora essa alegação.

 

 

De autoria de PEDRO HENRIQUE LEAL

NERDADO POR supernerds às 21:42